Fonte: Veja

O negro João Alberto Silveira Freitas foi assassinado a socos no Carrefour de Porto Alegre; o negro Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga foi morto enforcado no Supermercado Extra, no Rio de Janeiro; os negros Bruno Barros e Yan Barros, tio e sobrinho, foram aprisionados, entregues e assassinados a tiros por traficantes de drogas no Hipermercado Atakarejo, em Salvador, na Bahia; um jovem negro de 17 anos foi despido, amarrado, amordaçado e chicoteado com fios elétricos no Supermercado Ricoy, em São Paulo; o negro Luís Carlos da Silva, 56 anos, foi forçado a se despir, na frente de clientes, na loja do Atacadista Assai, na cidade de Limeira, São Paulo; o jovem negro e imigrante congolês Moize Mugenyl Kabamgade teve amarrados mãos e pés e foi assassinado a pauladas num quiosque de praia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E a negra Ana Paula Barroso, delegada, foi impedida de entrar na Loja Zara, do Shopping Iguatemi, em Fortaleza, no Ceará.

Como se vê, nos ambientes prestigiados ou simples de consumo do país o impacto da intolerância racial tem mostrado uma rotina de brutalidade e selvageria contra os cidadãos consumidores negros. Resultado da ignorância, indiferença e impunidade, os ecossistemas do consumo e da segurança privada transformaram-se em permanentes emissores de intolerância racial, expandindo seus efeitos para toda atmosfera social e, impunemente, naturalizando um tratamento ofensivo, discriminatório e degradante, que impede ao negro a garantia constitucional da igualdade e o direito humano da liberdade de ir, vir e permanecer com segurança no espaço público do consumo.

Era preciso colocar-se de pé. Com a coordenação da Universidade Zumbi dos Palmares e apoio do Conselho Nacional de Justiça, Ministério Publico Federal, Defensoria Publica/SP, da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, Unicamp, Secretaria de Mudanças Climáticas/SP, Procon/SP, Fecomércio, IDV – Instituto de desenvolvimento do varejo, Apas – Associação Paulista de Supermercados, Fenavist – Federação Nacional das Empresas de Segurança, ABCFV – Associação Brasileira da Escolas de Vigilantes, Conselho da Comunidade Negra/SP, Unegro/SP e a colaboração das Empresas Vivo e Cielo, lançaremos hoje, neste 13 de maio, Dia da Abolição, o Programa Racismo Zero nas Relações de Consumo e na Segurança Privada.

Com o Procon Racial, a Certificação Ambiente Empresarial Seguro Contra o Racismo e a Plataforma Acolhe de apoio social, jurídico e psicológico às vitimas, atacaremos com inteligência artificial as transgressões raciais no consumo, implementaremos Carta de Princípios e Manual de Educação Antirracista consumerista, cláusula antirracista nos contratos com fornecedores e prestadores de serviços, e qualificação de colaboradores e terceiros para prevenir e combater o racismo no espaço corporativo e na segurança privada. Temos consciência que será trabalho longo e hercúleo, mas preferiremos ousar a compactuar com uma liberdade como engodo e uma igualdade tão somente como quimera.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *